Já dizia alguém que não me lembro quem: somos vítimas de nossas escolhas. Percebe quanto sofremos por escolhas mal-feitas? Culpamos meio-mundo mas temos que aprender a acostumarmo-nos com nossas escolhas mal-sucedidas. O mundo está cheio de gente oportunista que te levará a uma escolha terrível. Maduro é aquele que consegue passar por isso, dando a volta por cima.
Sou o cara de escolhas miseráveis. Tenho um talento nato para optar pela pior escolha, mesmo que ela seja uma em cem. Se eu contasse metade delas detalhadamente, muitos achariam que sou um mentiroso ou que me passo por coitado. Dentre minhas piores escolhas, estão as relacionadas a rumos letivos. Estudei num colégio bom em Ourinhos, sempre fui o melhor aluno e blablabla (pularei a parte infla-ego). Uma criança nerd que adorava ser chamada de inteligente e se achava o melhor com todas as brincadeirinhas que faziam a respeito de suas notas altas. Como os professores eram deuses para mim, suas palavras eram mais que ordem. Por causa disso, tive minha primeira escolha desastrosa: resolvi fazer ensino médio no colégio técnico, um colégio de Ourinhos que mantinha boa fama por, apesar de ser gratuito, exigir um bom resultado numa prova para ser admitido. Como um vestibular, x candidatos para y vagas.
Passaria dias relatando a imundice daquele colégio e ainda tive o azar de cair bem no ano que os professores fizeram uma greve salarial. Repeti aquele ano por faltas. Não queria passar um ano sem ter aprendido nada. Esse ano foi terrível para mim pois, devido à outras escolhas ruins, desanimei dos estudos. Bem, estou contando demais sobre minha vida e isso não é bem um diário...
Voltando ao foco, uma das minhas últimas escolhas erradas foi o Colégio Sesi. Desesperado em sair da rede pública, optei pelo primeiro barateiro que encontrei. Associei o nome SESI com o mesmo que estudei em Ourinhos, mas o sistema do estado do Paraná é outro e, eu deveria ter previsto isso, os admistradores locais também são outros. O nome não era nada...
Por falta de condições financeiras, cometi o mesmo erro do colégio técnico de Ourinhos. Atrasei quase dois anos da minha vida letiva num pandemônio inenarrável. Atualmente, o Colégio Sesi não aderiu à uma chance que a Unifil ofereceu a todos os colégios de ensino médio de Londrina. Oportunidades de bolsas integrais e parciais para os melhores alunos de cada colégio! A Unifil, apesar do preconceito em relação às instituições privadas de ensino superior, tem alto conceito e é, sem dúvida, uma boa universidade. Mas não aderiu por quê? Aparentemente, coincidiu com a data de uma viagem para a praia. Basicamente, trocaram uma oportunidade rara de estudo firme por areia e sal (e um pouco de putaria, quem sabe?!...). Eu sei que prometi a mim mesmo que subiria, de joelhos, as escadas rolantes que descem do Shopping Royal Plaza, caso alguém da minha ex-sala, passe em algum curso da UEL que seja mais concorrido que 20 por 1. Sim, exemplifiquei toda a minha descrença. Mas um colégio não deveria pensar assim. Se são descrentes em relação aos alunos, deveriam se esforçar para melhorarem a situação. Entretanto, por certo, isso não passa na cabeça de muitos dalí. Me lembro como muitos se gabavam dos seus títulos de mestrado e sei lá mais que diabo, mas tenho certeza que se montassem suas próprias instituições, não saberiam organizar nem mesmo os livros em suas estantes. Uma boa parte dos grandes, se rói de raiva de mim mas tentam não demonstrar porque sabem que o ato de ignorar é mais sábio. Mas é apenas fingimento e, por muitas vezes, mal-sucedido.
Insituições como essa, acabam com a esperança no jovem brasileiro. Incompetência, desonestidade, trapaça, vingança, birra, e inúmeros outros adjetivos que não deveriam fazer parte de um corpo docente e administrativo. Sinto que alguém deveria mudar toda essa lambança, mas me acho um palhaço em esperar que caia do céu. Posso ter armas letais um dia, mas hoje, infelizmente, sou inofensivo. O que está nas minhas mãos, estou fazendo: estudar.
Estaria confiante de passar na UEL ou em outro vestibular, mesmo de exatas, se eu tivesse simplesmente escolhido o Pontual no lugar do Sesi, daquela vez... Tento aproveitar o máximo da união de incríveis professores que tenho atualmente, mas é claro que entrei no caminho certo um tanto quanto atrasado. Só que não importa! É hora de mostrar a minha maturidade, já que eu divulgo que tenho. Hora de parar de culpar aos outros, assumir meus erros e lutar, mesmo que sozinho, contra toda a sujeira da educação nesse país.
Aí vem UEl.
Sinto muito em ter que carecer de um "boa sorte".
Abraço a todos.
terça-feira, 4 de novembro de 2008
O infortúnio das escolhas
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Atrasa Londrina
terça-feira, 9 de setembro de 2008
Comentando a VEJA #1 - "Eles são diferentes. E adoram disso"
Hoje, inauguro esta nova seção: Comentando a VEJA. Tcha-ram!! Nada mais é do que alguns comentários sobre matérias dos números atuais da revista. Pretendo aumentar meu campo de leitura (me falta tempo) e fazer seções com a INFO, Super Interessante, etc..
Bem, vamos ao post.
ADVERTÊNCIA: O conteúdo abaixo é de temática religiosa. Se você é religoso e, por conseqüência, não tem capacidade de enxergar a realidade e se ofende com qualquer blasfêmia, vá visitar um outro site ao seu nível.
Revista VEJA, edição 2077 - ano 41- nº 36. Páginas 134 à138.
Durante uma aula dupla de filosofia sobre a Arte em Platão e em Aristóteles, resolvo abrir minha Veja da semana afim de uma leitura produtiva, uma vez que o conteúdo da discplina já me é sabido. Abri na parte de religião e me deparei com uma foto bizarra. Rapazes alegres dançando estranhamente numa danceteria sob o título "Eles são diferentes. E adoram isso". Logo que comecei a ler, senti a presença de alguém nas minhas costas. Era a Laís. Indagou: "Você é gay?". Estranhei e tentei assimilar a situação. Não consegui e respondi: "Não! Por quê??". Ela replicou: "Sei lá, te vejo lendo uma matéria com uma foto cheia de gays e escrito que são diferentes e adoram isso...". Ri. Não sei se eram gays, por mais que parecessem, entretanto, a matéria se tratava da nova moda jovem evangélica.
Sou ateu. Talvez eu acredite que exista alguma força cósmica que deu origem ao universo. Mas, como costumo dizer, não sei quem é deus, mas sei bem que ele não é. Não posso dizer que não acredito porém respeito todas as religiões, como é praxe dos aspirantes a ateus. Eu não acredito e desprezo qualquer forma de religião existente. Elas influenciam diretamente e de forma negativa sobre minha vida. Não há motivo para respeito.
Se você é teísta praticante e insistiu em contrariar minha advertência, sei exatamente o que pensou sobre meu comentário acima. Sugiro que pare a leitura imediatamente e vá ler a bíblia.
Religião é desculpa para crimes, abrigo aos fracos. Fé e milagre são outros nomes para efeito placebo. Você acredita tanto que convence a sua mente daquilo. Se chegar num ponto extremo, poderá ter visões, sentir coisas e até falar em outras línguas. Alcançará pontos escondidos no cantinho do seu subconsciente. Isso é perfeitamente exp
licado por praticantes do hipnotismo e entendedores do funcionamento do cérebro humano. Não há nada de milagroso. Recomendaria alguns livros mas sei que não iria ler.Na revista, fica claro como religião vira fuga àqueles que não têm mais nenhuma esperança, aos fudidos que só podem satisfazer o próprio ego de uma maneira: criando um falso espírito bondoso. Ex-traficantes, ex-assassinos, ex-viciados, ex-prostitutas, ex-diretoras-de-colégio-fracassadas e etc, procuram saída para sua derrota, procuram uma maneira para serem felizes. O ser humano é um bicho desgraçado de burro, parece que sempre espera uma regra a ser seguida. "A Religião é boa!", "Só Deus é o caminho". Quanta fraqueza estúpida.
Para puxar as rédeas dos fracassados, existem os oportunistas, os Edir Macedo da vida. Há muito, a religião passou de um mito para uma boa intenção, depois uma maneira de dominar o mundo e, hoje, se dividiu em ramos comerciais. Dentro do cristianismo, a igreja católica ainda me parece firme com seu ideal de dominar o mundo. Tudo se espera desse povo idiota, uma vez que não abandonaram esta merda mesmo cientes de toda crueldade aplicada e patrocinada pelos antigos padres a papas. Já dentro do cristianismo protestante, o dinheiro manda. Se aproveitar da fraqueza mental dos cidadãos é um golpe baixíssimo. O marketing usa seus truques em propagandas de refrigerantes, lanchonetes, roupas, eletrônicos e tudo que se existe e se venda. Na religião, não é diferente, entretanto, é muito mais baixo apelar para essa lacuna na vida humana sobre quem manda no mundo. É desprezível quem se aproveita da burrice alheia para tirar seus trocados. É fácil! O nome já existe, há um livro com uma história mal-contada, cheio de atrocidades das quais ninguém se presta a questionar. Arrume um capital e monte sua igreja com um nome qualquer. QUALQUER MESMO! Pode ser até Branca de Neve.
Jovens têm homônios em alta. Hormônios pedem sexo, diversão e riscos. Mas os jovens são idiotas, não conseguem controlar a bebedeira, a fumadeira e a trepadeira. Deus é a solução! Agora aliam a moda das discotecas e músicas barulhentas à ideologia protestante. Festa sem alcool, namoro sem sexo. O pessoal é privado dos seus instintos mais naturais em nome de uma baboseira divina que não trará retorno algum. Incrível é como alguns conseguem se sentir livres com isso. Lendo a matéria, achei depoimentos de pessoas que pretendem fazer sexo só após o casamento. Oh god! O sexo foi adorado e relacionado com os antigos deuses por milhões de anos. A Igreja Católica chegou com toda sua prepotência e transformou elementos pagãos como a glória ao sexo em atributos do demônio e do pecado. Se sexo não fosse necessário pra reprodução, provavelmente, proibiriam de vez. Esse legado de burrice que o catolicismo começou, se perdura até os dias de hoje, inclusive nos cultos protestantes.
Admiro algumas estratégias de marketing como famosas da Coca-Cola, Nintendo e Mc Donalds. Não há diferença nessa das neo-pentecostais. Tiram tudo o que pode fazer o jovem sair do rumo normal. Bebidas, drogas e sexo. Isso tudo mexe com seu cérebro de uma maneira maluca, você sai de si. Quem nunca atravessou quase uma cidade toda ou matou um compromisso importante por uma 'rapidinha'?! Ou, então, vendeu itens importantes na busca do sustento de algum vício?! Coisas como essas, tiram o jovem do trilho. Basta jogar muito barulho, festas, uma azaração moderada, jogos, modismos e coisas saudáveis que todo jovem gosta, tomando cuidado apenas com o que pode por em risco que ele enxergue a realidade. Até a opressão cruel já existe. Andam 'na linha' com medo do lago de chamas, do bode, do demônio, do deserto de enxofre.
Se você não percebe o quão manipuladora é a religião. Meus parabéns! Sua fé te transformou num idiota.
Pobres jovens... bem eles que seriam o futuro da nação...
Ignorância não é uma bênção! Acorde pra vida! Não há quem te castigue por seus atos a não ser teus próprios pensamentos.
Em breve, farei um post imenso sobre a farsa do cristianismo.
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Now playing: The Rubettes - Sugar Baby Love
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Dezenove anos
Dezenove anos! Oh! É muita coisa! A vida me passou tão rápido. Quando eu tinha uns catorze anos, me imaginava com dezenove barbudo, fortão e com uma moto. Barbudo eu consigo ficar; fortão me falta academia e carboidratos; moto me falta muita grana.Estou meio anestesiado. No momento, brindo sozinho meu aniversário com uma Heineken de 355ml. Estava há tanto tempo sem beber alcool que uma única garrafa já me deixou sonolento. Sinto o peso da velhice. Talvez por tanto enfiarem em nossas cabeças que quando completamos dezoito anos, temos que ser responsáveis e etc, que acabamos nos convencendo disso. Ano passado, passei por um complexo de idade. Hoje, estou com algo parecido. Me sinto bem mais cansado do que deveria, mais responsável do que deveria. Me sinto no direito de falar algo como "no meu tempo, as coisas eram diferentes...".
Nunca dei muita importância para esse negócio de 'parabéns' ou 'feliz aniversário'. Acho a parabenização um tanto quanto sem sentido, uma vez que não sou digno de mérito nenhum somente por estar mais um ano vivo. Tudo faz parte de uma tradição sem graça, poucas pessoas realmente me desejam tudo de bom e pouquíssimas se mobilizariam se não fosse o alerta do orkut.
Eu com meus pensamentos conservadores, às vezes me sinto como se estivesse sendo deixado de lado, deixado para trás. Pessoas que antes me tratavam com o carinho de um amigo, hoje me tratam com a formalidade de um desconhecido ou um tio, talvez. Recebi um SMS que me deixou, particularmente, constrangido. Tive que parar e pensar por alguns segundos. Alguém que me tratara tão intimamente há cerca de um ano, me trata agora como um velho sem importância.
Algumas pequenas atitudes indiferentes me fazem pensar o quanto a idade física importa. Parece que vou ter que passar por um ciclo de mudança social novamente. Não porque eu queira, mas porque a situação está forçando.
Convido todos à minha festa no dia 20. Mais informações, me pergunte.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Férias?! Assim espero...
Trabalho final entregue hoje! Aparentemente, agradou. O negócio era o seguinte, precisava montar um modelo de prova do Enem, com questões interdisciplinares (isso é difícil) e com textos que fizessem referência a mais de uma questão e precisava de uma questão de cada matéria. Parece fácil, mas essa relação de matérias e construção de questões é uma coisa chatíssima. Enfim, depois de dias quebrando a cabeça e de essa última noite mal-dormida para consertar o slide, compensou. Aparentemente, o trabalho agradou. Espero não ter ficado de recuperação em nenhuma matéria pois quero férias logo. A única média que sei é a de física, que fiquei com 84. Fiquei em primeiro lugar na Gincana do Conhecimento (simulado bimestral) de novo. Wuhul! E minha redação tirou nota máxima.
Hoje tive aula de moto novamente e quase morri uma hora que soltei a embreagem com tudo na descida da rampa. Quando voltava, uma maluca atravessou a faixa de pedestres com o sinal de pedestres FECHADO. Derrapei com o pneu dianteiro e a estabilidade fudeu! Dei umas rodopiadas, bati o joelho na mesinha, mas não caí. E, apesar de ter xingado mentalmente, não fiquei irritado! Milagre?! Talvez... acho que estou feliz por ter ficado em primeiro de novo... ou estou feliz por outra coisinha =D
Que venham as férias!
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Now playing: Nightwish - Feel For You
quinta-feira, 19 de junho de 2008
Imin 100
Ontem foi a abertura do festival de comemoração dos 100 anos de imigração japonesa no Brasil. Foram gastos milhões de reais em toda essa festança. Além de todo o evento no Parque Ney Braga (o que nem deveria contar, uma vez que o que foi gasto vai voltar em dobro, no mínimo), foram gastos 2,5 milhões de reais para a construção de uma praça japonesa no centro da cidade. A praça ficou maravilhosa, entretanto, não creio que tenha sido gasto exatamente o que foi declarado. Espero que a praça não seja vítima dos pichadores de rua.
O parque estava tradicionalmente enfeitado, mas de uma maneira que poderia passar despercebida por olhos distraídos. A primeira impressão é: conheço esse lugar. Não estava muito diferente da exposição agrícola que acontece todos os anos no mesmo local. O mesmo parque, os mesmos comerciantes e quase os mesmos estandes. Era uma Expo sem cheiro de esterco. A comida estava cara como sempre e paguei a facada de R$2,50 numa lata de Coca, o que evidenciava o lucro que os organizadores teriam.
Eu estava, de início, somente com a Camila e estávamos somente nós dois quando adentramos no recinto onde aconteceria a cerimônia de abertura. Pegamos lugares e guardamos dois espaços para a Nati e a Miriam que iriam chegar. Quando as duas chegaram, tinha acabado de começar e estava lá pela quarta música que o coral infantil de sei-lá-onde estava cantando. Não gosto de coral infantil, mas isso é opinião pessoal. A primeira falha da cerimônia: mal-aproveitamento de espaço. As criancinhas do coral estavam ao extremo esquerdo da arquibancada. Elas estavam sendo filmadas e trasmitidas nos telões centrais, fato essencial para que eu pudesse perceber a segunda falha: playback. Não sei realmente se algumas crianças cantavam com playback ou apenas o playback tocava, o certo era que muitas cri
anças não estavam cantando.
Para uma abertura, o coral foi fraco. Tanto pela distribuição, quanto pela falha que citei e ainda pela fuga do tema musical. Não tomando aquilo como uma abertura oficial, guardei minha esperança de perfeccionismo para o que viria. O que veio foi um velho, que provavelmente é da Sociedade Rural do Paraná, agradecendo a presença de todos e dando início oficial à abertura.
Começou bem, a trilha inicial foi bem escolhida e teve uma coreografia representando a chegada dos imigrantes no Brasil. Crianças balançavam panos representando as ondas do mar e tinha uma réplica teatral do navio Kasato Maru. Descontando os muitos erros casuais na coreografia, estava tudo bonito. Em certo momento, saiu uma mulher de um baú que ficou dançando em boa parte da cerimônia (e eu fiquei até agora sem saber o que ela representava).
Trinta ou quarenta porcento da apresentação foi show de taiko. Aparentemente, os dois grupos
mais conhecidos de taiko se apresentaram, o Ishin Daiko e Sansey. Eu, sinceramente, esperava algo muito melhor que taiko + playback. Como é visível, tenho repúdio à playback. Ele demonstra a preguiça e/ou incapacidade musical. Taiko não faltava, e esse foi o problema. Nada de outros instrumentos musicais tradicionais como koto, shamisen ou shukuhachi ao vivo. É evidente que não é nenhum zé-ruela que consegue tocar instrumentos desse gabarito, mas eu imagino que os japoneses mereciam homenagem menos preguiçosa. Convenhamos, qualquer ser-humano que tenha, no mínimo, duas mãos e dois neurônios consegue tocar taiko, assim como outros instrumentos complementares irregulares como pandeiro, cuíca e tambor de olodum. Não estou desvalorizando o instrumento e sua influência na cultura, mas é, sem dúvida, porco o negócio de colocar 500 negos tocando taiko e nem um único caboclo com um instrumento mais dificil e não menos tradicional. A mensagem ficou clara: promoção ao Sansey e ao Ishin Daiko. Muito tempo gasto para promover dois grupos que já estão mais surrados que minhas botas velhas.
Uma coisa imunda e completamente fora de nexo foi um show barato de cosplays. Apesar da perda de tempo com taikos, a coisa ainda estava rumando por um caminho certo, porém, depois, fudeu tudo. Pessoal com cosplay de Bleach, Naruto, Fullmetal Alchemist e One Piece fazendo ceninhas de ba
talha e essas coisas bem bobas das quais você só espera encontrar em eventos de anime da vida. Acabando com toda a seriedade do negócio, os cosplayers deram um show que não foi nada além do rídiculo comumente observado em eventos-otaku. A grande diferença é que alí não era lugar pra aquilo e se alguém vier com algum argumento do tipo "cosplay é da cultura japonesa", eu mando pro caralho porque cosplays virem dos quadrinhos, e tanto os quadrinhos quanto os cosplays nasceram nos Estados Unidos.
Como se já não tivessem estragado o suficiente, meteram Matsuri Dance no meio da coisa. Nada contra o matsuri, eu mesmo gosto de dançar, todavia, saiu da cronologia épica em que estava o clima (tirando o cosplay-show). Matsuri dá um clima de encerramento, mas ele foi colocado no meio da coisa e depois disso ainda tiveram algumas apresentações que seguiram o padrão tradicional e terminou com um desfecho simples, porém, bonito e uma queima de fogos maravilhosa.
O espetáculo teve suas partes boas mas foi muito desorganizado. Tempo demais para coisas que não mereciam tanto, inclusão de elementos que fugiam do objetivo e economia nos gastos com efeitos. Esperava uma chuva de flores-de-cerejeira e inesquecíveis shows de luzes mas fiquei na esperança. O gasto ficou nos fogos que, apesar de bonitos, não dão trabalho algum e não são a coisa mais criativa do mundo. Pecaram em criatividade. Ah! E mesmo nos fogos, aproveitaram mal o espaço do céu, os fogos ficaram agrupados de um lado só e apesar da riqueza dos mesmos, faltou distribuição, o que me fez lembrar o quão bem distribuídos são os fogos de reveillon em algumas cidades, mesmo que menos chamativos.
Fiquei decepcionado mas reconheço os pontos positivos. Enquanto o pessoal trabalha visando o máximo de lucro possível, não dá pra sair uma coisa muito boa mesmo. Na cerimônia, a propaganda explícita e a miséria de efeitos foi o pecado; já no evento, o débito foi na decoração e nos poucos pontos comerciais japoneses, tinha muito mais do comércio brasileirão de exposição agropecuária, fato que tirava o clima oriental que se pretendia passar.
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Now playing: Nightwish - Angels Fall First





