Há tempos fujo de questões políticas, sociais, econômicas, enfim, dessas problemáticas complicadíssimas que têm nível de complexidade veemente.
Acontece que quanto mais tento me esconder, mais elas me perseguem. Eu havia decidido parar de criar rugas por problemas deste tipo; me contentar em ser mais um que dá de ombros para essa "dor-de-cabeça" toda. Infelizmente, as coisas nem sempre são como queremos.
Tenho interesse nos assuntos mas encontrar métodos que solucionem esses problemas, é um desafio imenso que causa um desespero que é, muitas vezes, em vão.
Bom, irei assumir novamente a alcunha de "meio-termista" e tentarei dar pouca atenção a isso (meu envelhecimento precoce agradece) ao mesmo tempo que leio e me informo sobre.
Dias atrás, estava lendo a revista Veja da semana passada e me interessei por uma reportagem com um professor, CEO da Secretaria de Educação de Nova York, que falava sobre a reforma no ensino. Aliado a alguns poucos conhecimentos que possuía sobre o assunto dentro do Brasil, quis saber mais e andei lendo algumas coisas a respeito, com destaque à Lei 9493-96 decretada no governo FHC das diretrizes e bases da educação nacional e 40 páginas interessantíssimas sobre uma pesquisa feita pela professora e pedagoga Adelacyr Galassi, sobre a metodologia no magistério do ensino médio.
A educação sempre foi a base de grande parte dos problemas no mundo, a peça-chave para o desenvolvimento e evolução humana. Um tema que não preocupa a todos da maneira que merece, exatamente pela precariedade da mesma, isto é, a falta de preocupação de alguém com a educação deve-se pela falta da educação na pessoa.
Por que depois de quase 11 anos de lei vigente, não são cumpridos todos os parágrafos dos artigos com excelência? Bem, é sabido que isso acontece com muitas leis nacionais, de fato. Mas a educação deveria ser uma prioridade, responsável por grandes investimentos. Mas falarei do investimento mais tarde, agora falarei da nova educação.

Substituição do ensino massivo e "decoreba", a qual denomino ensino quadrado, por aulas dinâmicas dadas por professores atualizados e firmes no que fazem.
Outro ideal é fragmentar os grandes colégios em mais colégios de terreno menor. Salas com menos alunos, escolas com menos alunos. O princípio de toda essa mudança é que, atualmente, os pais andam alheios ao que acontece dentro da escola, sua participação é cada vez menor. Há também o mal de ensinar para uma sala lotada que impossibilita uma atenção mais cautelosa a problemas particulares de cada aluno.
Em NY, o ensino antiqüado está sendo finalmente repensado para o aluno do futuro; não aquele que decore, mas aquele que entenda e interprete, aquele que seja capacitado para enfrentar desafios, que tenha sua própria opinião.
Agora vamos tratar do Brasil.
Preocupada com problemas como a evasão escolar, baixas notas, professores debilitados, além de todo o sistema educacional ultrapassado,

O básico foram perguntas sobre o que está ruim e o que deveria melhorar. Para este tipo de pergunta, as respostas foram previsíveis e esclarecedoras.
No país, a quantidade de problemas em relação a isso é enorme. Vejamos o caso de um professor qualquer que leciona em várias escolas públicas. Devido ao baixo salário, ele é forçado a dar aulas em três ou quatro colégios, gasta quase todo seu tempo dando aulas e o que sobra, provavelmente gaste planejando as aulas do próximo dia. Para um profissional desses, fica difícil freqüentar cursos de reciclagem e aperfeiçoamento tanto pela falta de tempo quanto pela falta de dinheiro. Hoje em dia, ainda temos muitos professores com a cabeça fechada, que não ouvem o aluno, que não controlam a sala, que se limitam ao giz e ao quadro. E se alguma coisa precisa ser feita, tem de ser feita imediatamente.
Os alunos precisam de um professor amigo que ao mesmo tempo imponha respeito; alguém dinâmico e de mente aberta; que não desconte sua raiva nos alunos; que goste do que faz; que esteja sempre se reciclando, lendo sobre diversos assuntos e freqüentando cursos de capacitação profissional. E os professores precisam de incentivo, de opções; precisam de maior reconhecimento, maior salário. Mas não adianta chorar salário, fazer greve e se sentir injustiçado.
Implementar as idéias de um novo sistema educacional (que serão aplicadas em NY) no Brasil, é o prólogo do desenvolvimento. Não só por parte pública, mas também da privada. Os colégios particulares não fogem desses conceitos antigos de educação, talvez sejam ainda mais perigosos por terem mais conteúdo, por usarem de sistemas de ensino massificados, decorebas, que deixam o aluno alienado. É um verdadeiro fordismo em sala de aula.
Acredito que essa mudança possa começar em breve, pelo ensino privado. Basta a força de vontade dos grandes nomes, que tenham disposição em investir na educação, preocupação com o futuro do ensino mais do que com os lucros atuais. É uma mudança que demorará anos para se concretizar, o que é mais um motivo para se começar a agir imediatamente.
Quanto à rede pública, não tenho fé alguma. Governo investir em educação o tanto que deveria? Caindo de novo no ponto onde o poder precisa de um povo burro para continuar roubando. Uma massa burra é uma massa de fácil manobra.

Já na Inglaterra, o jornal The Sun culpa os videogames pelo baixo rendimento escolar. As atrações digitais serão sempre mais interessantes que os estudos aos adolescentes. Cabe aos responsáveis pela educação, criarem um jeito de diminuir essa discrepância. Não que façam os estudos ficarem mais interessantes que os videogames e celulares, mas que façam que, ao menos, fiquem interessantes, menos massivos.